domingo, 31 de outubro de 2010

Trinta e um

Hoje é mais um dia 31, tinha muitas maneiras de acabar este dia, ao lado de alguém especial, ao telemóvel com a minha melhor amiga, a olhar para as estrelas ou simplesmente a ouvir a ‘nossa’ musica mas preferi esta maneira de terminar o dia e de por um ponto final nesta historia toda. Passaram 3 meses, não digo que foram meses fáceis porque estaria a mentir mas hoje sinto-me com força para finalmente te esquecer e seguir em frente ao lado de alguém que queira realmente saber de mim. Lembro-me de cada momento que fez parte de ‘nós’, da primeira vez em que te vi, da nossa primeira conversa, da minha primeira dentada, do teu primeiro beijinho, do nosso primeiro olhar, do nosso primeiro beijo, do nosso primeiro passeio, de te apresentar aos meus pais, do teu primeiro ‘amo-te’, da primeira vez que te trouxe a minha casa, da primeira vez que estive na tua, de conhecer a tua família, do nosso primeiro jantar, do nosso primeiro jantar com a minha família, de me deitar ao teu lado, da primeira vez que me foste buscar a paragem, dos nossos momentos no Real, das tuas mensagens, de acordares as 6 horas da manha para me acordares e me dares os bons dias, da primeira vês que te beijei e que percebi que eras real, lembro-me de tanta mas tanta coisa, lembro-me daqueles dois meses como se tivessem sido um sonho tão bom que a minha memoria quis recordar dia após dia. Mas assim como me lembro das coisas magníficas e maravilhosas, também me lembro do último beijo que te dei e da última mensagem que me mandas-te e que eu pensei ser real…E tu lembras-te?

Lembrei-me de tudo, recordei tudo mas apenas para ser a ultima vez e poder finalmente meter-te numa caixa no fundo do meu armário e seguir em frente. Ficas a saber que não me arrependo de nenhum momento dos que passei contigo, que apesar de todo o sofrimento faria tudo igual novamente. Já não me custa olhar para ti, apenas me magoa saber que apesar de tudo continuas a sofrer de vez em quando. Não te odeio, acredita que não, sou incapaz disso mas também já não te consigo amar. És mais um capítulo encerrado na minha vida, mais um pessoa que vou sempre recordar por todos os bons momentos que passei a teu lado, não serás indiferente claro que não pois aprendi muita coisa em dois meses contigo e guardarei sempre um carinho muito especial por ti. Talvez um dia consigas voltar a ser meu amigo e descubras o meu lado calmo e sereno que preenche muitas amizades.

Um beijinho muito grande, e um enorme obrigado por tudo.
Miguel Temudo :)

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Pedaços de papel, do ser, da alma...


Mais uma vez conduzo os sentimentos até a folha de papel, exprimo sentimentos do passado, do presente e do futuro. Exprimo o que me vai dentro do peito, no local que poucos chegam a atingir ou onde são raros o que deixam a sua impressão digital. O grande problema é que esses ‘poucos’ que atingem ou que deixam uma marca como no Bilhete de Identidade acabam sempre por fazer ruir esse ‘local’, tornam-no num sítio triste, frágil, um sítio onde medo é quase palavra de ordem e de onde a inocência volta de novo a fugir. Muitos são os que dizem ‘São apenas sentimentos, isso passa!’, mas e o que são os sentimentos senão uma parte da alma ou do próprio ser?

Medo, sim é isso que esta alma sente, está misturado com a mágoa, o sofrimento, a dor e a negação. Medo é esse o veneno que corre nas veias deste ser, medo de se deixar tocar novamente, de deixar que alguém imprima de novo a sua impressão digital e que o volte a deixar aos bocadinhos, que volte a deixar o ‘local’ como se fosse uma folha de papel que qualquer um pode rasgar para por no lixo. Mesmo que depois haja alguém que pegue em todos os pedacinhos e os junte com fita-cola, nada volta a ser igual e a inocência até pode voltar a fazer parte da alma e do ser, mas o medo esse não se vai embora, nunca abandona cada fenda tapada com fita-cola. São marcas, fendas, feridas ou arranhões que o tempo não cura, que as pessoas não curam, são coisas que ficam sempre impressas no peito e na alma, para que o ser nunca se esqueça de que mais tarde ou mais cedo a fita-cola se vai descolar e que os papéis vão voltar a cair e todo o ‘local’ vai voltar a estar em ruínas.

Depois de voltar a acontecer, voltará a aparecer uma pessoa com mais fita-cola para colar cada pedacinho e voltar a pô-lo de pé e torna-se um ciclo vicioso, ou então vai acontecer tantas vezes que a uma dada altura, a fita-cola não vai colar e os pedacinhos continuaram no chão até que o ser seja capaz, ele próprio, de olhar para o peito, bem lá no fundo e encontrar algo que junte os pedacinhos sem prender o medo, voltando assim a ser novamente FELIZ!

sábado, 2 de outubro de 2010

Namorados....


«Namorados,

são uma coisa porreira. Fazem-nos sentir a nós mulheres, bonitas, únicas, amadas e desejadas. Chamam-nos Pequeninas, Princesas, Fofinhas, Amor e outras delícias para o ouvido e o coração. Enchem-se de paciência para ouvir os nossos desabafos e alinham com os nossos amigos. Alguns até têm um dom especial para lidar com as nossas mães, mas isso é uma singularidade rara, não podemos contar com ela no comum mortal.

Namorados,

são uma coisa porreira. Até ao dia. O dia em que acordam e ficam com dúvidas, acendem a luz de alarme do complicómetro e começam a pensar no-que-é-que-isto-vai-dar, ou então ligam o radar que é outra peça que vem sempre acoplada ao macho e descobrem que o mundo está cheio, a abarrotar de Princesas, Pequeninas, Fofinhas, Amores e outros seres maravilhosos com longas pestanas, calças de ganga justas, cabelos compridos, grandes peitos e camisolas curtas. E que muitas delas, coitadinhas, estão tão sozinhas, mesmo a precisar de companhia.

Namorados,

são uma coisa porreira, se nunca nos esquecermos que são como os iogurtes: saborosos, docinhos, deliciosos, mas com prazo de validade. Mas há que olhar para o lado bom da coisa e fazer como diziam os romanos, aproveitar o dia e esperar pelo dia seguinte sem esperar nada. Com um bocadinho de sorte, pode ser que ele ainda lá esteja, ou telefone, ou não lhe tenha apetecido ir às narcejas.»


[Margarida Rebelo Pinto]