segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Passado, presente e futuro !

Aparentemente, esta seria apenas mais uma noite de Verão, uma noite quente, iluminada pela Lua cheia. É sexta-feira, mas não, esta noite vai ser diferente é a penúltima sexta antes do fim das ferias. Tanta nostalgia que paira no ar, dormir ou adormecer tornou-se uma tarefa difícil. Estava na cama com os phones do ipod nos ouvidos, a ouvir uma daquelas músicas que só nos dá vontade de dançar, mas surpreendentemente não me apeteceu dançar. Levantei-me lentamente para não fazer barulho, quase que conseguia ouvir o bater do coração do gato.

Dirigi-me até á cozinha muito cuidadosamente, abri a porta do frigorífico e retirei uma garrafa de leite. Depois de saciar a minha sede, sentei-me na minha poltrona, virada para o luar e senti a brisa suave desta noite a acariciar-me o rosto, aqui ao contrário do que na cidade o movimento nocturno destina-se apenas aos animais. Ambiente tal estava instalado proporcionando às pessoas que se recordassem, foi então que a saudade apertou. Os amigos de sempre já não pertenciam a esta vida, já tinham passado 80 anos desde que os conhecera, não sabera nada deles desde o Secundário. Percorremos caminhos distintos, construímos vidas completamente diferentes. As promessas feitas há tantos anos dissiparam-se com o tempo, na altura pareciam tão reais e honestas. O “sempre” reside hoje em dia nos meus pensamentos, nas minhas memorias e ate nas minhas revoltas por não ter tornado esta vida diferente.

Hoje com 96 anos, sento-me neste banco onde passava horas quando era adolescente e pensava que o mundo ia acabar. Hoje recordo com saudade os amigos de sempre e a felicidade de nós jovens na altura. Hoje também enterro comigo sentimentos nunca antes dados a conhecer. E lentamente naquela nostalgia o meu corpo foi-se deixando cair até ao último batuque do meu coração. Agora poderei dormir e ter uma noite tão profunda como à muito não tinha.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Tiquetaque

São duas da manhã, estão 32ºC e o céu está escuro como breu. Deste muro branco ao fundo da azinhaga as estrelas estão mais nítidas do que nunca.

Uma brisa leve acaricia o rosto de cada ser. Diferentes ideias invadem-me a mente pedindo-me para as passar para papel, assim farei. A minha cabeça, não pára, está uma confusão, a cada segundo um novo turbilhão de ideias me passam pela cabeça como se fossem flashes, algumas chegam a ser imagens de momentos que marcaram como nenhum outro. Vou distinguindo-os um por um, amor, promessas, ilusões, desilusões, lágrimas, risos, alegria, tristeza, confusão, mágoa, desespero, coragem, força, ódio, egoísmo, ironia, orgulho, estupidez, revolta, conformismo, desejo. Oiço cada tiquetaque do relógio de pulso e continuo a escrever, sonho, reviver, recordar, renascer, morrer, deslumbrar, trair, quebrar, magoar, chatear, discutir, fazer as pazes, beijar, abraçar, sentir…tanta coisa ao mesmo tempo a fazer-me pensar. Um turbilhão de ideias e emoções que a um dado momento me fazem explodir, choro. Agora procuro bem lá ao longe, no meio daquela escuridão imensa que cobre todo este lugar, uma luz, algo a que me agarrar pois cada ideia e emoção terá de ser bem organizada para que tudo faça sentido.

Sinto que tudo o que vivi não pode ser revivido. Com a raiva rasguei os papéis da minha parede, ficou tudo em pequenos pedaços, aproveitei e deitei as minhas quatro paredes a baixo, agora poderei reconstrui-las com novas pessoas, com novas amizades, novas paixões, poderei organizar as minhas ideias e voltarei a saber fazer a distinção entre o certo e o errado, entre o bom e o mau, o amor e o ódio, a ilusão e a desilusão…agora tudo passará a ter o seu oposto e eu saberei o que os distingue. Volto a olhar para o relógio, pois o tiquetaque não pára são agora seis da manhã, já se avistam os primeiros raios de sol, a escuridão esta também a tender para o seu oposto tal como eu que depois de tantas horas a escrever tendo para o oposto daquilo que sentia no inicio deste texto